quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Moritz von Oswald Trio

E hoje é dia de ver Moritz von Oswald Trio no Maria Matos. Além do mago dos Rhythm & Sound, o trio é ainda composto por Vladislav Delay (Luomo) e Max Loderbauer (dos Sun Electric). Esta noite vão apresentar Vertical Ascent, disco onde a música dub e o techno são estilhaçados ao milímetro, um disco feito de uma tensão desconcertante, onde a experimentação é o caminho para o cosmos, um disco que, ao contrário do que possa parecer, não quer desconstruir seja o que for, mas sim criar uma música cujos elementos se se conjugam de uma forma arquitectónica mas, paradoxalmente, inesperada.
O concerto começa às 22.00.

terça-feira, 24 de Novembro de 2009

When I'm With You


Esta canção é tão incrível de tantas maneiras simultaneamente que mais vale ficar-me por aqui. Uma das grandes canções deste 2009.

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Monster

Talvez seja um exagero dos tempos agitados que correm, talvez seja a simples inocência, estou-me nas tintas. Ouvir The Fame Monster é presenciar algo único e marcante. Não há ninguém actualmente na pop que demonstre este tipo de controlo sobre tudo o que a rodeia (canções, imagem, digressões, discos, colaborações, etc etc) e, paralelamente, revela em cada pormenor da carreira não só preciosismo, mas também espírito criativo e vontade de inovar. Isto tudo por causa de The Fame Monster, que começou por ser um disco adicional numa reedição para se tornar algo próprio e independente. Disco conceptual sobre desespero, perda, alienação. E tudo isto passa por uma overdose épica em forma pop que é Bad Romance; por referências aos Abba e Ace of Base numa canção -Alejandro - com uma amálgama electrónica que só podia ser de 2009; pela provocação robótica de Monster; pelo descaramento de recordar All the Young Dudes de David Bowie no glam-rock intemporal de Speechless; por trocar referências múltiplas da pop/electrónica dos 80 e 90 numa intrigante canção - Dance in the Dark - sobre abuso e marginalização; pelas estruturas de pés para o ar em Telephone; pela masturbação em forma de sintetizadores house 90s relaxados em So Happy I Could Die; e por entregar a persona GaGa numa marcha circense que respira tensão em Teeth.
E depois disto que venha o mundo.

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Boas notícias


A Nite Jewel chegou à Stones Throw. Ouvir o resultado aqui.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Moon

Porque a ficção científica não tem de ser pirotecnia. Moon, de Duncan Jones.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Ay Ay Ay

Viagem. Viagem. Todo o disco de Matias Aguayo é uma viagem. Por vozes e melodias da América Latina. Por estruturas do techno cientista alemão. Pelos ritmos de África. Um disco que cruza vozes, melodias, vivências de todo o mundo, onde a electrónica alemã se transforma numa porta para canções pop com identidade plural. Onde é palpável o realismo urbano das cidades por onde passou. Num disco dum tipo que, supostamente, vem do techno, é, no mínimo, surpreendente, apercebermo-nos que o centro nevrálgico de toda esta música está na voz, ou melhor, nas muitas vozes, que se aglomeram e se auto-transformam e nos conduzem por tantas... viagens. Ao segundo álbum Matias Aguayo vai a todo o lado sem cair na inconsequência. O futuro passa por aqui.

MGM R.I.P.

A Metro Goldwin Mayer pode desaparecer e ninguém quer saber. É triste.

sábado, 14 de Novembro de 2009

Party in the USA



"I'm feelin' kinda homesick, too much pressure and I'm nervous, that's when the taxi man turned on the radio, and a Jay-Z song was on"

"So hard with my girls not around me, It's definitely not a Nashville party, 'cause all I see are stilettos, I guess I never got the memo"

E depois não me digam que isto não é uma pérola deste 2009.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Concertos

Fotografia de Vera Marmelo

Quarta-feira foi dia de Black Lips. Festa rock'n'roll à séria. Mas, ainda assim, nada de muito abrutalhado como estava à espera, infelizmente. Mas boa festa.

Ontem foi a Grouper. A ZdB ficou inundada em névoa, em hipnagogia, numa hipnose onde vieram ao de cima dos fantasmas da infância, do presente, dos que virão. Bonito. Bonito.
Antes ainda consegui ouvir (ver foi impossível) o Norberto Lobo. E como o Pedro disse, "é impossível não gostar do Norberto Lobo".

terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Bad Romance



Palavras sábias de quem disse que quando não há nada para dizer mais vale ficar calado.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Reality Killed the Video Star

Curioso o título do novo álbum de Robbie Williams. Em primeiro lugar é uma clara referência à canção Video Killed the Radio Star, dos The Buggles, dos quais fez parte Trevor Horn, que produz este Reality Killed the Video Star. Mas é muito mais que isto. Há três anos Williams lançou Rudebox, disco sonicamente dominado por texturas electrónicas e influências do r’n’b contemporâneo. É, até à data, o disco mais criativo de Williams. Mas o risco não teve os resultados esperados, tendo-se Rudebox tornado no grande fracasso comercial do cantor. Seguiram-se escândalos rodeados de drogas e excentricidades. Será que a realidade matou o artista? O novo álbum prova o contrário, num passo seguro que nada tem para falhar.
O Robbie Williams que conhecíamos até Rudebox regressa neste oitavo álbum. Mas consciente do que foram os últimos três anos. A perda da fama é mesmo uma temática recorrente. No entanto em Last Days of Disco, um dos novos temas, Williams canta que não quer chamem a este álbum um regresso. Mesmo que voltemos a ouvir as canções pop orquestrais com que vendeu tantos milhões de discos. Felizmente que o talento de Trevor Horn na cadeira de produção impede as canções de penderem para o lado do exagero. Por vezes até lhes emprega pormenores surpreendentes, como acontece em You Know Me, que recupera subtilmente memórias doo wop. Apesar de em Reality Killed the Video Star dominarem canções onde Robbie Williams se sente mais que confortável, as experiências electrónicas de Rudebox não foram completamente esquecidas, como o provam Difficult for Weirdos, que respira Pet Shop Boys em cada um dos seus quatro minutos e vinte e nove segundos, e Last Days of Disco.
Reality Killed the Video Star é o reflexo de uma tentativa de recuperação do sucesso a grande escala, sem que para isso o artista tenha de se sujeitar a um resultado criativamente vazio.

Difficult for Weirdos:



Este texto foi originalmente publicado na revista 'NS do DN.

sábado, 7 de Novembro de 2009

Manafon

Felizmente ainda há discos assim. Que ultrapassam a fronteira do surpreendente ou do quer que seja. Manafon, o novo disco de David Sylvian, vai para além das canções. É já outra coisa. E é também muito mais que a mera definição de música improvisada e exploratória. São melodias destruídas, fragmentadas em resquícios sonoros que tem ecos na música de câmara, no noise, no jazz, na electrónica, no avant-garde, em tudo e mais alguma coisa. Um disco embrulhado num negrume perturbador, onde o silêncio e todos os sons que o preenchem de tempos a tempos lhe empregam uma tensão quase física. E ninguém canta como David Sylvian, com aquela sensibilidade e sentido melódico, que consegue dar voz a um disco que vai para além das canções. Isto é muito mais que incrível.


sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Insónia

Dia 16 vai sair um novo disco de Tiago Sousa, Insónia. E que disco. São sete temas onde estão espalhadas leves impressões de alguma música erudita (olá Debussy), cravadas de uma tensão emocional surpreendente. Insónia é um disco tenso e intenso, que parte das deambulações ao piano de Tiago Sousa para algumas vertentes próximas da música experimental, sem que isso sufoque a riqueza melódica aqui presente. Bem bonito.

Foto da autoria de Vera Marmelo.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Nico Muhly

Porque hoje só interessam duas palavras: Nico Muhly. Nova-iorquino, 27 anos, já trabalhou com gente como Björk, Antony, Grizzly Bear, Bonnie 'Prince' Billy, Philip Glass, e até conseguiu ajudar os National a comporem a sua única boa canção. Hoje vai estar no Teatro Maria Matos a mostrar que para ele não há fronteiras entre o que é ou não é música contemporânea, pop, minimalista, erudita. As peças aglomeram-se, sobrepõem-se, repetem-se, num resultado por vezes próximo da esquizofrenia criativa (elogio). Na sua música o diálogo abstraccionista entre linguagens contemporâneas/eruditas e a pop é constante e surpreendente, como o prova o último, e já agora excelente, Mothertongue.
Nico Muhly vai estar no Maria Matos no âmbito da Whale Watching Tour, que traz outros amigos, Sam Amidon, Ben Frost e Valgeir Sigurðsson.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

melhor de sempre

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Vai ser tão tão tão bom, não vai?

Homenagens

Porque as homenagens não têm de ser rígidas, formais, monótonas, um dever ou obrigação. Têm de ser apenas aquilo que são, homenagens, um tributo, um agradecimento sentido pela obra de um artista. E foi exactamente isso que Benardo Sassetti & Mário Laginha fizeram ontem à noite na Aula Magna, no espectáculo Trago Fados Comigo, onde homenagearam Amália e a música portuguesa. Um tributo com sentimento, com nervo, com diversão, que, felizmente, se distanciou de todas as homenagens (e coisas parecidas) que inundaram o País na semana de 6 de Outubro, onde (quase) tudo soava mais a obrigação do que a veneração.
Parabéns Sassetti & Laginha.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Róisín Murphy

Ao contrário de Rihanna, cujo novo single tem uma capa incrível, mas a canção em si roça o nível do medíocre, já Róisín Muyphy está também de volta com um novo single, Orally Fixated, que, como a capa fazia prever, é gigante. Orally Fixated é uma autêntica orgia pop feita de sintetizadores frenéticos, libidinosos, mutantes. Um tema atingido pelos estilhaços da música house e do movimento neo-romântico. Canção ousada e desavergonhada. A melhor forma de ter regressado depois de ter sido mãe. Extraordinário.
Podem ouvir a música aqui: www.myspace.com/roisinmurphy

domingo, 1 de Novembro de 2009

Empire State of Mind


O Rei faz uma ode à sua cidade, Nova Iorque. Um épico imediato.

Twilight

Só hoje vi o primeiro Twilight. E apenas lamento tê-lo feito apenas agora. Este primeiro filme da saga sobre vampiros no mínimo peculiares tem a habilidade de não cair em todos os clichés de filmes para adolescentes em que se poderia ter deixado levar com a maior das facilidades. Um dos pontos mais interessantes do filme é mesmo ver como a abstinência sexual forçada é retratada num filme supostamente típico para adolescentes.
Quanto ao New Moon, que se estreia no final de Novembro, as expectativas são mínimas. Mas há sempre a banda sonora, que é bem bonita (tem canções de Thom Yorke, Grizzly Bear, Lykke Li, St. Vincent & Bon Iver, etc).

sábado, 31 de Outubro de 2009

Lust for Life



Já sabia que tinham um dos discos do ano. O facto da capa de Album ser um pastiche do Behaviour dos Pet Shop Boys só ajudou. A estreia dos Girls mostrou-nos como o entusiasmo puramente adolescente, o espírito descomplexado e despretensioso (adoro des-) e um punhado de cantigas sobre desaires amorosos habilmente bem escritos, (ainda) podem resultar num dos discos surpreendentemente mais entusiasmantes da actualidade. E o facto de reconhecermos aqui influências de Elvis Costello, Beach Boys, The Smiths, Velvet Underground, etc etc, não faz deste disco mais uma parolice indie pseudo-intelectualizada, felizmente. Isto tudo só por causa do teledisco de Lust for Life, que só descobri agora, mas do qual já me falaram há dias, mas a preguiça tem destas coisas. É, claramente, O vídeo do ano. Há ainda esta versão para meninos.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Hyperdub


5 Years of Hyperdub. A compilação mais importante deste 2009. São dois discos que reflectem não só o melhor de uma das mais criativas, inovadoras e relevantes editoras desta década, como prova que o futuro passará sempre por aqui. Basta para isso lembrar um dos novos temas de Burial, Fostercare, presentes nesta compilação - vídeo não oficial em baixo.
Hyperdub, obrigado por toda a boa música que nos deste nestes cinco anos.

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

(Breve) Manual para nunca mais crescer

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Lágrimas

"A palavra deste ano é a dor". É assim que acaba o incrível filme A Festa da Menina Morta, de Matheus Nachtergaele. Não sei se a palavra deste ano é a dor, mas é certamente a palavra do 11º episódio da terceira temporada de Mad Men. Nunca pensei ver uma figura tão segura de si como Don Draper chorar assim. É certamente um dos mais surpreendentes e emotivos episódios da série. O meu coração já chora por saber que apenas tenho mais dois episódios até ao fim desta temporada.

domingo, 25 de Outubro de 2009

Batida - ‘Dance Mwangolé’

Dance Mwangolé surgiu a partir de um desafio: descobrir o que estava nos arquivos históricos da Valentim de Carvalho respeitantes ao que foi gravado nos anos 60 e 70 em Luanda. A partir destas músicas, criar outras, novas, actuais, modernas, vibrantes. Foi isso que fizeram DJ Mpula, Beat Laden (Rádio Fazuma) e Ikonoklasta. Depois dos Buraka Som Sistema terem levado a sua versão do kuduro aos quatro cantos do globo, criou-se oportunidade para recuperar parte da história da música angolana. E essa história está habilmente fragmentada pelos 16 temas deste Dance Mwangolé, uma vez que ritmos tradicionais como sembas ou merengues ganham aqui uma nova vida, ao conviverem com as batidas electrónicas do kuduro e com subgraves densos e vibrantes. Uma excelente forma de descobrir e aprender sobre o passado com os olhos no futuro.

Este texto foi originalmente publicado na revista 'NS, do DN.

sábado, 24 de Outubro de 2009

SHINE BLOCKAS


Shine Blockas (Feat. Gucci Mane) - Big Boi

Espaço para crítica: INCRÍVEL. SINGLE DO ANO. E JÁ CHEGA.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Três Cantos

Quem ontem esteve presente no Campo Pequeno viveu um momento único e irrepetível na música portuguesa. E se uma das poucas coisas de que me orgulho da Faculdade de Letras é o facto de ter sido colega de José Mário Branco numa cadeira de linguística, ontem legislou a noite. O senhor é mais que incrível, tem um sentido de humor excelente, e vê-lo a dançar ao som de Fausto do palco e no final a cantar e a pular com um entusiasmo de criança foi das cenas mais fiches da noite. Podendo, é voltar hoje ao Campo Pequeno.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Russian Roulette

Ao deparar-me com a tensão e provocação sexual desta capa e para o título do single que lhe dá vida, Russian Roulette, uma curiosa referência a uma passagem do excelente Poker Face de Lady Gaga, esperava que o novo tema de Rihanna seria um dos grandes singles pop deste 2009, coisa a que a cantora nos tem habituado constantemente (basta lembrar canções como Pon de Replay, SOS, Umbrella, Don't Stop the Music ou Disturbia). Errado. Russian Roulette é uma balada xaroposa, banal, exagerada, sem um pingo de criatividade e de nervo (até nas baladas a miúda não se tinha saído mal anteriormente, como o provam temas como Hate That I Love You ou Rehab). Uma desilusão. Podem ouvir a música aqui.

Spike Jonze & Kanye West - We Were Once A Fairytale

Retrato impiedoso, em registo paranormal e fantástico, do colapso de um artista alienado e consumido pela fama e, consequentemente, pelas drogas, depois de se deparar com a pressão do sucesso a grande escala. Esta é a incrível curta-metragem de Spike Jonze com corpo, música, nervo e alma de Kanye West. We Were Once A Fairytale.

segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

Flashback

Bem vindos à melhor rave de 1993. Calvin Harris. Flashback.

Porque o Verão é quando o Homem quiser.